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Em nossa cultura o ciúme é visto como uma manifestação de amor, dando a entender que por isso é algo bom, positivo. Muitas pessoas concordam que apimentam o relacionamento. Mas, então, por que há pessoas que não sentem ou, se sentem, talvez não deem tanta importância a ele? Será que poderíamos dizer que estas pessoas não amam seus parceiros só porque não sentem ciúmes?

O ciúme na verdade tem muito mais a ver com você do que em relação ao outro que está ao seu lado. Acreditamos piamente que o outro seja o responsável por sentirmos ciúmes. Confundimos gatilho com algo intencionalmente provocado por alguém. Gatilho é como uma ignição, algo que desperta, que desencadeia um processo qualquer ou um comportamento em nós, neste caso o ciúme. Algo intencional é algo provocado por alguém propositadamente. Mas o ciúme não, dificilmente foi alguém que provocou ciúmes em alguém. O que ocorre é que sentimos ciúmes, independente das circunstâncias.

Falo isso porque a pessoa ciumenta costuma ver coisas, exagerar nas situações, aumenta tudo que vê, como se seus olhos tivessem uma lente de aumento. Por isso digo que o ciúme não tem a ver com o outro, mas, sim, com a própria pessoa. Tem a ver com sua insegurança, tem a ver com sua sensação de inadequação em relação ao grupo que está inserida, tem a ver com medos, com sensações de menos-valia, tem a ver com autoestima baixa, tem a ver com a necessidade de controle, tem a ver com um sentimento de humilhação ou de vergonha de ser quem você é, tem a ver com insatisfação pessoal, com sua falta de sentido ou propósito na vida, com estar insatisfeito com sua aparência, tem a ver com o não se sentir amado, não se sentir aceito, tem a ver com a certeza de que tem sempre alguém melhor do que você, tem a ver com achar que não é bom o bastante, tem a ver com sua falta de amor por você mesmo, e autoaceitação.

Em nome disso tudo vigiamos o olhar daquele que está ao nosso lado, predizemos exatamente o que o outro está vendo e sentindo, guiamos nossas ações em função do que supomos que o outro esteja vendo ou pensando, adivinhamos o olhar, o interesse do outro. Sabemos exatamente o tipo de pessoa capaz de chamar a atenção do nosso parceiro ou parceira, afinal, conhecemos o gosto de quem está ao nosso lado. Gastamos uma noite de festa e de diversão olhando o olhar do companheiro ao nosso lado, controlando cada virada de olho e, se há alguma correspondência, qualquer coisa se torna prova daquilo que imaginávamos. Perdemos uma noite olhando para todos ao noss o redor, fazendo uma lista mental e visual de todas as ameaças como se fôssemos capaz de controlar tudo e todos. Aquela sensação de não ser o alvo da atenção de meu parceiro ou parceira, aquela ideia de que meu namoro ou meu casamento pode acabar por causa de outra pessoa é devastadora. Só o que sente é aquela sensação de humilhação, de fazer papel de besta.

Tão sério e angustiante que alguns já partem pra briga, pra discussões, acusações que para o outro é totalmente sem pé nem cabeça. Mas, o pior do ciumento é que ele acaba empurrando a pessoa amada para os braços do outro. O exagero das interpretações casuais do ciumento pode ser tão absurdo que ele acaba despertando o olhar entre duas pessoas que nem haviam se olhado ainda. O ciumento mostra para a pessoa amada todas as outras pelas quais ele acha que estão sendo desejadas por ela. É inadmissível a ideia de que a pessoa que está  ao seu lado possa sentir desejo por outra ainda que diga que te ame.

Tudo acaba em um desgaste ou em arrependimento de talvez ter passado dos limites e agora ele ou ela tem mais um motivo de querer outra pessoa além de mim, afinal, tenho sido tão insegura e todas as outras parecem tão seguras! Na verdade, esse é um padrão muito difícil, pois, quando o ciúme toma conta, ficamos cegos e só pensamos em quanto a pessoa, que está ao nosso lado, é injusta e sacana. Alimentamos uma raiva, um desejo de vingança que não tem tamanho e depois, quando tudo passa, nos sentimos arrependidos e por baixo, o que aumenta ainda mais a sensação de insegurança e o medo de perder a pessoa que amamos, porque perce bemos que transformamos nosso convívio em um inferno. Com isso achamos que ela vai se interessar por alguém mais especial, mais seguro e melhor para dividir a vida. É assim que o ciúme não desaparece, ele se retroalimenta constantemente. Embora possamos nos arrepender das besteiras que pensamos e do desgaste que causamos, isso acaba nos levando de volta ao ciúme, pois ficamos mais e mais inseguros. Daí é que surge a tão conhecida frase que o ciúme corrói e destrói qualquer relacionamento. Sem dúvida alguma, ele não vai melhorar a não ser que você faça algo por você.

Eu poderia dizer muito mais sobre sintomas e reações de ciumentos. Há os que matam, que batem e abusam de outras pessoas, mostrando reações patológicas em relação ao ciúme, há os que traem por se sentirem traídos…Mas a questão aqui não tem a ver com ciúmes enquanto prova de amor por outra pessoa, a questão aqui é o quanto o ciúme mostra a falta de amor pela própria vida. Achamos que amar ao próximo não depende do amor por si próprio porque depositamos no outro a responsabilidade de nos amar. O que vejo nas pessoas que não têm ciúme é que elas se sentem seguras, tem amor por si mesmas e isso transmite autoconfiança, elas não estabelecem uma relação de dependência, por isso são capazes de construir relacionamentos mais leves, mais confiantes e muito mais amorosos.

Se o ciúme é ou não prova de amor por alguém, eu não sei. Mas tenho certeza que ele se fundamenta na falta de amor-próprio, em acreditar que só o outro pode preencher meus vazios, na ideia de que amor é precisar do outro, na convicção de que não vivo sem meu amor, na crença de que não sou capaz de viver sem ele ou ela. Isso é muito lindo em canções românticas  que ouvimos por aí. Mas é muito triste quando levamos uma vida atrelados a uma ideia ou a cren&ccedil ;as de que só existimos na presença do outro.

O único modo de reverter esta situação é amadurecendo a partir de um processo profundo de autoconhecimento, em que você vai reconhecer suas dores existenciais, com o qual você entrará em contato com suas forças, suas capacidades e habilidades, colocando-as em prática. Um processo que vai lhe abrir para viver sua própria existência, através da qual, sua essê ncia se fará presente.

Pessoas que se sentem mais seguras, que vivem suas próprias vidas e que desenvolveram e desenvolvem seu autoconhecimento, que possuem vida própria, opinião própria e que não abrem mão de sua vida para viver a vida do outro, que sentem que têm um lugar no mundo, que sentem que têm um sentido na vida que só depende dela, são pessoas que não permitem que o ciúme tome conta de suas mentes e contamine suas relações afetivas. Porque muito mais importante do que o outro em sua vida é você mesmo. O outro deveria ser um presente que a vida lhe deu que irá somar e multiplicar, e não subtrair, dividir ou anular como vejo muitos relacionamentos por aí. É a troca mútua, é a convivência, é o respeito e a consciência de que cada um é um ser único e individual. Qualquer relacionamento em que tentemos controlar, modificar e alterar a essência um do outro está fadado ao sofrimento, ao insucesso, ao aprisionamento e talvez a uma separação. Qual o propósito de um relacionamento em que eu me posiciono em segundo plano?

 

 Até a próxima!

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