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Na semana próxima passada começamos a falar sobre o uso da madeira no vinho. Tal é a extensão do assunto, e como temos um limite de laudas para postagem no site, separei uma segunda parte para esta semana. Muitos amam a madeira no vinho, outros adoram sua presença de forma mais intensa, quando esta se destaca mais que as características da própria cultivar. Algumas outras pessoas preferem a madeira como coadjuvante, apenas para acrescentar um pouco mais de aromas e complexidade ao vinho. Por fim, há pessoas que preferem o vinho sem passagem por madeira, preservando assim a personalidade da cepa usada na vinificação na sua essência. Há vinícolas, inclusive, que possuem uma filosofia de não passarem seus vinhos por madeira, caso da Lídio Carraro, no Brasil. Mas isso é gosto pessoal. Não se discute.

 

Mas pra falarmos sobre o assunto esta semana, precisamos conhecer a arte da Tanoaria. O barril de carvalho foi criado pelo povo celta, os gauleses, que habitavam o território onde hoje é a França. A palavra tanoaria é um sinônimo de tanoa, que se origina do termo Tanu, da língua bretã, que significa carvalho. Tanoeiros são aqueles que produzem os barris de madeira, sejam de carvalho, mogno, acácia, eucalipto, etc. A arte da tanoaria, de acordo com especialistas, está se perdendo aos poucos, pois raros são os filhos que desejam herdar esse oficio de seus pais. E os melhores tanoeiros podem fazer uma barrica com características próprias solicitadas por seus clientes, sejam por tipo e região da madeira ou pelo nível de tosta da mesma. Algumas tanoarias comercializam seus barris por floresta de determinada região. O cliente escolhe e eles vão usar o carvalho de determinada floresta. Cada região aporta características diferentes na madeira, que por sua vez, será transmitida ao vinho. Outras tanoarias, como a Seguin Moreau, trabalha a escolha da madeira eletronicamente, como estilo de barricas, podendo pegar madeira de diferentes florestas para produção das mesmas. Também podem usar um carvalho francês para o corpo da barrica e o americano para a construção das tampas ou vice-versa. Interessante lembrar que os barris também são usados para diferentes tipos de bebida: Cachaça, whisky, conhaque, etc. Vejamos algumas tanoarias famosas: Seguin Moreau, Botti Gamba, Tonnellerie Baron, etc.

 

Um dos pontos a serem considerados sobre a influência da madeira no vinho, é o grau de tosta na barrica. Temos a tosta leve (light), que confere ao vinho características naturais da madeira no vinho de uma forma mais elegante. A tosta de nível médio (medium), tem o ponto “true medium”, apropriado para a maioria dos vinhos tintos e a “medium plus”, mais apropriada para os vinhos brancos. Por fim, temos a tosta forte (heavy), que confere aos vinhos notas de defumado, e é mais usado em blends. Os barris mais usados são os de 225 litros. Quanto menor o barril, maior será o contato do vinho com o carvalho e a influência da madeira. Mas há barris de diferentes tamanhos, usados para diferentes tipos de vinhos. O tempo de vida útil dos barris costumam ser de cerca de 3 ou 4 usos no vinho. A cada uso, a interferência será menor. Quanto menos usado o barril, maior a sua influência, maior a transferência de aromas e sabores ao vinho nele armazenado. Após 3 ou 4 vezes usados, normalmente são vendidos para empresas que envelhecem destilados em madeira.

 

Mas será que todo vinho que tem passagem por madeira é envelhecido dentro de barris? Possivelmente, por uma questão de desconhecimento apenas, você pode ter respondido sim. Mas a resposta é: não, não é!!! O que a grande maioria das pessoas não sabem, é que existe outros alternativos de madeira para uso na bebida nobre. Lembre-se que uma barrica de carvalho não custa pouco e nem todos os produtores de vinho têm condições de adquiri-las. Em função disso, foram criados outros meios para isso. O uso de lascas de carvalho (chips), aduelas, que são pranchas de madeira ou mesmo serragem, podem ser usadas para conferir aromas no vinho. Esses alternativos são mergulhados no vinho para trazer complexidade à bebida. O uso desses materiais são ainda um tema polêmico no mundo dos vinhos. Penso que o produtor deveria colocar em cada rótulo se o vinho passou ou não por barris ou por algum destes alternativos. Na minha opinião, deveria ser normatizado.

Finalizando, deixo a você que faça suas escolhas sobre qual vinho beber, com ou sem madeira ou com muita ou pouca influência da mesma. Descubra aquilo que mais agrada o seu paladar.

 

Vaner Benetti - Sommelier FISAR/WSET1

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