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Teixeira de Freitas, 26 de março: A equipe do Vida Diária conseguiu no início da noite desta segunda-feira, conversar por telefone com a professora  Inês Aparecida da Silva de 49 anos de idade. Ela é professora há 35 anos, lotada desde 2007 na Escola Clélia das Graças Figueiredo Pinto, e mesmo sem querer falar muito sobre o assunto, resolveu nos contar o caso, já que ninguém ainda a procurou para saber do ocorrido. A professora Inês vai se aposentar no próximo dia 18 de abril.

 

De acordo com a professora agredida na última sexta-feira (23), ela estava substituindo uma colega que está de licença. Ela disse que a adolescente de 13 anos de idade que a agrediu veio da Escola Raquel de Queiroz, nessas últimas mudanças do município, e que a aluna estava sentada no braço da carteira e, então, ela pediu para a aluna se levantar. A menina perguntou se ela estava incomodada e a professora respondeu que sim, e imediatamente a aluna retrucou, “os incomodados que se retirem”. Diante da resposta, “eu engoli a situação, terminei de fazer chamada e fui até o disciplina e avisei do ocorrido. Ele veio conversando comigo até a porta da sala e pedi para ela acompanhá-lo. Quando percebi eu já estava no chão entre chutes e pontapés, não sei como fui parar no chão, percebi que o disciplina interviu, caso contrário não sei o que poderia ter acontecido”.

 

A professora Inês disse que não teve coragem de contar o caso nem para sua família, e até hoje ainda não voltou na escola, não participou de nenhum ato, ninguém ainda a ouviu, nem juizado, nem sindicato, nem imprensa, apenas na delegacia, na hora de registrar a ocorrência.  “Essa é a primeira vez que conto o que aconteceu, fora na hora de registrar a ocorrência. Devido a aluna me ameaçar, resolvi procurar a delegacia. Uma frase que ela me disse, com muita fúria não sai da minha cabeça ‘eu vou te matar’”, contou a professora.

Esse foi o presente de aposentadoria que a professora recebeu, ela que nunca passou por nada parecido, está muito triste com a atual situação da educação no Brasil. “Comparando os dias atuais com antigamente, qualquer professor sente vontade de desistir de ir para a sala de aula. Devido a vários fatores, percebemos que os adolescentes estão cada vez mais violentos. É muito triste, mas, é a realidade em que vivemos”, concluiu.

 

O secretário de Educação Hermon Freitas, emitiu uma nota no sábado (24), falando “da tristeza em assistir uma cena desrespeitosa como essa (...). É responsabilidade da família ensinar os valores morais, éticos, o respeito e dar amor às crianças (...)”.

Já na manhã desta segunda-feira, a APLB – Sindicato visitou a Escola em um ato de companheirismo e empatia que os professores (as), das redes Estaduais, Municipais demonstraram com a professora Inês. Os educadores se vestiram de preto, não apenas em repúdio ao ato cometido. Eles se vestiram assim, para cobrar atitudes, projetos e diálogos que acabem com essa postura com nossos educadores e educadoras. Depois de saírem da unidade, os representantes da APLB – Sindicato se dirigiram à Câmara Municipal de Educação e se reuniram com o presidente da câmara, o vereador Agnaldo Teixeira Barbosa (PR) e o vereador Valci Vieira dos Santos (SD) que compõe a Comissão de Educação da Câmara de Vereadores. Ficou agendada uma Audiência Pública na Câmara Municipal de Vereadores no dia 05 de Abril, às 18h, convocando toda a sociedade para discutir essa pauta e encontrar caminhos e, assim, dar uma reposta à professora e a toda comunidade teixeirense.

O Conselho Tutelar foi acionado, e o caso será apresentado no Ministério Público, onde posteriormente deverá ser encaminhado ao Juiz de Direito Dr. Argenildo Fernandes, da 1ª Vara da Infância e Juventude.

 

Por: Vida Diária/Mirian Ferreira

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