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Na atual temporada, onze pessoas morreram na escalada do Monte Everest. A missão de chegar ao topo da montanha mais alta do mundo é conhecida como uma das mais inóspitas e arriscadas. Mas, nos últimos seis anos, não houve maior número de vítimas fatais. As mortes são atribuídas à superlotação na etapa final da subida e à falta de experiência de muitos dos alpinistas.

Para a temporada de abril e maio deste ano, o governo do Nepal concedeu o recorde de 381 permissões de escalada, ao preço de 11.000 dólares por pessoa. Cada titular de um passe é normalmente acompanhado por um guia, o sherpa, o que significa que mais de 750 pessoas estariam na rota do Nepal de escalada.

Além dos montanhistas que sobem pelo flanco sul, contudo, ao menos 140 receberam permissões para escalar o Everest a partir do flanco norte, no Tibete. O total, portanto, foi de 1.042 pessoas somente nesta temporada.

 

Waldemar Niclevicz, o primeiro brasileiro a escalar o Everest, afirma que, além da lotação, a falta de preparo e experiência de muitos alpinistas também pode ter levado ao aumento das fatalidades.

“Houve um boom da comercialização do Everest desde a década de 90”, afirma o montanhista de 53 anos. “Muitos dos novos interessados são turistas, e não alpinistas”, completa.

“A preparação e o conhecimento, assim como o respeito à montanha e aos seus próprios limites são fundamentais”, completa o paranaense, que chegou ao cume do Everest quando tinha 25 anos e em sua segunda tentativa de escalada da montanha.

Desde então, Niclevicz realiza diversas expedições pelo mundo, atua como guia e faz palestras motivacionais em empresas.

Durante a atual temporada de escaladas, Niclevicz acompanhou um grupo em uma trilha ao Campo Base Sul do Everest. O alpinista conta que se deparou com o acampamento extremamente lotado em abril.

Durante o percurso até ali, de 65 quilômetros desde a cidade de Lukla, afirma ter cruzado com multidões caminhando, por vezes, em filas indianas longuíssimas. “Muitas pessoas estavam com calçados e roupas inapropriadas e até com bolsas de tiracolo, em vez de mochilas”, diz.

 

Um dos alpinistas que chegou ao topo do monte nesta temporada, Elia Saikaly, relatou uma “carnificina” no final de sua jornada. Em um post no Instagram, afirmou ter visto cenas de caos e corpos de vítimas da altitude dentro de tendas nos acampamentos.

“Isso não é normal, não é alpinismo”, diz Niclevicz. “A maioria das mortes foi causada por inexperiência, por pessoas que não respeitam seus limites e os limites da montanha.” “Existem fatalidades, mas a montanha não mata ninguém. As próprias pessoas estão se matando”, completou.

Diante das tragédias dos últimos dias, o governo nepalês já afirmou que está considerando mudar as regras para a escalada do Everest. Autoridades anteciparam que podem vir a exigir que os alpinistas enviem provas concretas de experiência em montanhismo e uma avaliação de saúde mais detalhada para emitir o passe.

Pelas regras atuais adotadas pelo país, os alpinistas precisam enviar apenas uma cópia do passaporte, algumas informações e um certificado comprovando que eles têm boas condições de saúde.

O governo chinês já exige comprovante de experiências anteriores dos alpinistas que realizam a escalada pelo flanco norte, saindo do Tibete.

 

Por: Vida Diária / Veja

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