Nova NR-1 amplia responsabilidade das empresas sobre saúde mental e reforça alerta para realidade dos jornalistas

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata das disposições gerais e do gerenciamento de riscos ocupacionais, entrou em vigor nesta terça (26) e passou a exigir que as empresas incluam os riscos psicossociais na gestão de saúde e segurança do trabalho. Na prática, isso significa que fatores como assédio moral, sobrecarga de trabalho, pressão excessiva, jornadas desgastantes, metas abusivas e ambientes tóxicos deverão ser identificados, monitorados e combatidos pelas organizações.

A mudança reforça um debate urgente para a categoria dos jornalistas, cuja realidade é marcada por jornadas intensas, pressão permanente, acúmulo de funções, precarização das relações de trabalho, violência virtual, instabilidade profissional e sofrimento emocional.

Em abril deste ano, o Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional concluiu que a saúde mental dos jornalistas exige atenção. Durante a reunião, foram citados dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que apontam que, em 2024, houve 472 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais no Brasil, crescimento de 68% em relação ao ano anterior. O afastamento médio foi de 196 dias.

No caso específico do jornalismo, o Conselho destacou como pontos críticos as longas jornadas de trabalho, o contato frequente com notícias trágicas ou negativas, a sobrecarga, o desrespeito às folgas, a comunicação violenta e a falta de empatia nos ambientes profissionais.

Para a presidenta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba), Fernanda Gama, a atualização da NR-1 representa um avanço importante, mas exige fiscalização e compromisso efetivo das empresas. “A saúde mental dos jornalistas não pode mais ser tratada como algo secundário. A categoria vive há anos sob pressão extrema, acúmulo de funções, desrespeito à jornada, baixos salários, assédio, casos de burnout e insegurança constante. Essa é uma preocupação permanente de nossa entidade, que tem levado o tema às mesas de negociação e cobrado das empresas medidas concretas para prevenir o adoecimento e garantir condições dignas de trabalho”, afirma.

Pesquisa nacional

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), em parceria com a Fundacentro (órgão do Ministério do Trabalho e Emprego) e os sindicatos filiados, entre eles o Sinjorba, realizou uma pesquisa nacional sobre saúde mental dos jornalistas. A etapa de coleta de respostas já foi encerrada e os dados estão sendo sistematizados pelas instituições responsáveis para serem apresentados em breve.

O objetivo do estudo é identificar variáveis associadas ao sofrimento mental no exercício da profissão e subsidiar a construção de políticas de proteção à categoria, além de fortalecer as ações sindicais e as pautas de negociação em todo o país.

De acordo com o vice-presidente da FENAJ, Moacy Neves, o levantamento é fundamental para orientar a atuação sindical em defesa da categoria. “Precisamos compreender, com dados concretos, como as condições de trabalho estão impactando a saúde mental dos jornalistas. Essa pesquisa vai ajudar a formular políticas sindicais, pautas de negociação e ações que enfrentem, de fato, o sofrimento mental da categoria”, destaca.

O que muda com a nova NR-1

Com a atualização da norma, as empresas passam a ter obrigação de incluir os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Isso envolve identificar situações que possam causar adoecimento mental, adotar medidas preventivas, acompanhar os trabalhadores e construir políticas internas voltadas à promoção de ambientes de trabalho mais saudáveis.

Para o Sinjorba, a nova regra reforça uma pauta que o movimento sindical já vem defendendo: não há qualidade na informação sem condições dignas de trabalho para quem produz jornalismo.

 

por: Vida Diária / SINJORBA

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